segunda-feira, agosto 25, 2008

OUSADIA...



A necessidade de segurança faz parte do ser humano. Respiramos violência e impunidade, mas viver também implica determinação de abrir os dois braços e se dispor a abraçar o mundo com toda a carga apodrecida, consciente de que conflitos e contradições geram incertezas e busca da verdade...

Na insatisfação habita a essência do sentimento, ainda que esteja abafada e descolorida no silêncio de asas sonolentas e feridas...
Ultrapassar as barreiras requer paixão e discernimento.
Arriscar-se na caminhada requer iniciativa e solidariedade.

Juvenal Arduini falando sobre a ousadia como elemento primordial para o crescimento diz: ousar é soltar-se para buscar o futuro.

Será que o marginalizado da sociedade possa enfrentar de peito aberto tantas insinuações e perseguições?
Sua arma principal deverá ser o seu poder inserido em sua ousadia, ainda que seja necessário transpor as mesmas explicações ou justificativas mentirosas.

Há situações onde o nosso olhar deverá transgredir as trilhas pré-estabelecidas, cercas armadas e ir mais além, criando alternativas.
É necessário, no entanto a responsabilidade no alargamento das fronteiras. Sem essa dimensão não seremos capazes de navegar até o fim carregando palavras já tão cansadas de serem manipuladas!

É tempo de aprendermos o significado da ternura que se recolhe para poder habitar na saudade...
É tempo de perseguirmos o gesto que desabrocha na partilha do orvalho, na alma que sangra e perfura a madrugada no inesperado de (con)tradições, no vôo inquieto que sobrevoa metades na loucura de SER...


14.07.2008 – 10:30h (resomar)

domingo, agosto 24, 2008

DEFINIÇÕES...




No decorrer da vida somos mergulhados em prolongados questionamentos...
Há sempre riscos em cada confronto, pois a transparência de nossos desejos, sonhos, medos, se revelam à medida que nossos passos perseguem a rota direcionada a uma existência plena, sem o espetáculo da aparência atônita...
Tantos livros abordam temas relacionados aos conflitos existenciais!
Tantas fórmulas tentam ajudar na travessia de margens (des)conhecidas...
Até onde o nosso engajamento será coerente e desprovido de interesses camuflados?

É prioritário definirmos cada palavra para que o silêncio não seja interpretado de acordo com as conveniências de cada um...

Procurar o inédito a fim de atingirmos descobertas fantásticas, nem sempre reflete o estágio reflexivo da consciência...
Há obstáculos persistentes, sentimentos doloridos, paradoxos que nos enlouquecem, mas viver é se dispor a experienciar a ausência de respostas, o vazio que soluça na solidão...
Não há esperança e nem brilho no olhar, na fuga, na recusa...

Alma grande, nos diz Mário de Azevedo, é sempre aquela que fita a luz na amplidão sabendo o valor da vela na hora da escuridão.

Ter coragem de abraçar a dor como condição indispensável na caminhada, revela sabedoria arduamente conquistada em lutas nem sempre vencidas, mas superadas na convivência de revelações e perdas...
O lamento não pode ser um rascunho à parte, mas um desafio ferido ou cicatrizado. O coração é sempre um espaço bem maior do que a penumbra amarga e insana a desviar longos intervalos ou intermináveis recordações...


14.07.2008 – 9:10h (resomar)

domingo, julho 20, 2008

MEMÓRIA DO TEMPO...




Na trilha do sentimento percebo referenciais, atalhos e o fascínio do cotidiano que desabrocha e reclama valores e discernimentos...
Confusos silêncios desnorteiam nossas indigências. Perplexos, tememos o confronto da necessidade do despojamento de preconceitos...
Antes de conseguirmos desbravar a essência da vida, criamos inumeráveis justificações fragilizadas e descoloridas no avesso da consciência alienada...

Como gerar a nossa identidade na travessia opaca e confusa de nossas relações?
Como enfrentar o desafio de ser na desestabilização de atitudes compromissadas?
Não há fórmulas e nem ciência que nos faça compreender a arte da transformação e da ousadia!
Não há itinerário sem armadilhas e incertezas!
Na memória do tempo a intensidade nos pressiona!
Na liberdade do pensamento as convicções nos embriagam e na aprendizagem amarga da dor, a lágrima sorri simplesmente para que possamos abraçar nossas angústias e questionamentos, desencantos e (in)coerências...

Urgente nos colocarmos permanentemente em luta (des)armada sem medo de romper a beleza artificial, palavras mascaradas, gestos pré- elaborados...
Na vigilância da emoção nos debruçaremos atentos aos sucessivos recuos do coração, mas saberemos enfrentar excessos e carências...
Há um sabor estranho, mas significativo na loucura da autenticidade, ainda que tenhamos de mastigar o cansaço da alma e beber o amargo fel da verdade que liberta os lábios feridos...


11.07.2008 0 19:10h (resomar)