segunda-feira, agosto 25, 2008

OUSADIA...



A necessidade de segurança faz parte do ser humano. Respiramos violência e impunidade, mas viver também implica determinação de abrir os dois braços e se dispor a abraçar o mundo com toda a carga apodrecida, consciente de que conflitos e contradições geram incertezas e busca da verdade...

Na insatisfação habita a essência do sentimento, ainda que esteja abafada e descolorida no silêncio de asas sonolentas e feridas...
Ultrapassar as barreiras requer paixão e discernimento.
Arriscar-se na caminhada requer iniciativa e solidariedade.

Juvenal Arduini falando sobre a ousadia como elemento primordial para o crescimento diz: ousar é soltar-se para buscar o futuro.

Será que o marginalizado da sociedade possa enfrentar de peito aberto tantas insinuações e perseguições?
Sua arma principal deverá ser o seu poder inserido em sua ousadia, ainda que seja necessário transpor as mesmas explicações ou justificativas mentirosas.

Há situações onde o nosso olhar deverá transgredir as trilhas pré-estabelecidas, cercas armadas e ir mais além, criando alternativas.
É necessário, no entanto a responsabilidade no alargamento das fronteiras. Sem essa dimensão não seremos capazes de navegar até o fim carregando palavras já tão cansadas de serem manipuladas!

É tempo de aprendermos o significado da ternura que se recolhe para poder habitar na saudade...
É tempo de perseguirmos o gesto que desabrocha na partilha do orvalho, na alma que sangra e perfura a madrugada no inesperado de (con)tradições, no vôo inquieto que sobrevoa metades na loucura de SER...


14.07.2008 – 10:30h (resomar)

domingo, agosto 24, 2008

DEFINIÇÕES...




No decorrer da vida somos mergulhados em prolongados questionamentos...
Há sempre riscos em cada confronto, pois a transparência de nossos desejos, sonhos, medos, se revelam à medida que nossos passos perseguem a rota direcionada a uma existência plena, sem o espetáculo da aparência atônita...
Tantos livros abordam temas relacionados aos conflitos existenciais!
Tantas fórmulas tentam ajudar na travessia de margens (des)conhecidas...
Até onde o nosso engajamento será coerente e desprovido de interesses camuflados?

É prioritário definirmos cada palavra para que o silêncio não seja interpretado de acordo com as conveniências de cada um...

Procurar o inédito a fim de atingirmos descobertas fantásticas, nem sempre reflete o estágio reflexivo da consciência...
Há obstáculos persistentes, sentimentos doloridos, paradoxos que nos enlouquecem, mas viver é se dispor a experienciar a ausência de respostas, o vazio que soluça na solidão...
Não há esperança e nem brilho no olhar, na fuga, na recusa...

Alma grande, nos diz Mário de Azevedo, é sempre aquela que fita a luz na amplidão sabendo o valor da vela na hora da escuridão.

Ter coragem de abraçar a dor como condição indispensável na caminhada, revela sabedoria arduamente conquistada em lutas nem sempre vencidas, mas superadas na convivência de revelações e perdas...
O lamento não pode ser um rascunho à parte, mas um desafio ferido ou cicatrizado. O coração é sempre um espaço bem maior do que a penumbra amarga e insana a desviar longos intervalos ou intermináveis recordações...


14.07.2008 – 9:10h (resomar)

domingo, julho 20, 2008

MEMÓRIA DO TEMPO...




Na trilha do sentimento percebo referenciais, atalhos e o fascínio do cotidiano que desabrocha e reclama valores e discernimentos...
Confusos silêncios desnorteiam nossas indigências. Perplexos, tememos o confronto da necessidade do despojamento de preconceitos...
Antes de conseguirmos desbravar a essência da vida, criamos inumeráveis justificações fragilizadas e descoloridas no avesso da consciência alienada...

Como gerar a nossa identidade na travessia opaca e confusa de nossas relações?
Como enfrentar o desafio de ser na desestabilização de atitudes compromissadas?
Não há fórmulas e nem ciência que nos faça compreender a arte da transformação e da ousadia!
Não há itinerário sem armadilhas e incertezas!
Na memória do tempo a intensidade nos pressiona!
Na liberdade do pensamento as convicções nos embriagam e na aprendizagem amarga da dor, a lágrima sorri simplesmente para que possamos abraçar nossas angústias e questionamentos, desencantos e (in)coerências...

Urgente nos colocarmos permanentemente em luta (des)armada sem medo de romper a beleza artificial, palavras mascaradas, gestos pré- elaborados...
Na vigilância da emoção nos debruçaremos atentos aos sucessivos recuos do coração, mas saberemos enfrentar excessos e carências...
Há um sabor estranho, mas significativo na loucura da autenticidade, ainda que tenhamos de mastigar o cansaço da alma e beber o amargo fel da verdade que liberta os lábios feridos...


11.07.2008 0 19:10h (resomar)

quarta-feira, agosto 29, 2007

ONDAS DE VERDADE...



Uma palavra ausente desnorteia impulsos e o soluço da lágrima poetisa a sonolenta, invisível e infinita memória...
Persigo o brilho do teu olhar e na sombra do deserto (re)encontro tua face contida na despedida nostálgica...
Arranco as pétalas e finjo aprendizagem, dor liberta, amor que se derrama no cotidiano de momentos entrelaçados...
Sentimentos consumidos sem recuos, mágoas impregnadas, muros sedentos, paredes caiadas...
Adormeço e nas ondas das ilusões a verdade explode em gotas e se dispersam no compasso, trilhas (des)coloridas, tempo impondo necessidades, circunstância insistente,aquarela desbotada no barulho enamorado, canção amontoada de paixão...
Navego em teu silêncio, estranha melancolia, tormentos sobrevoando lábios no sabor inflamado de ser, entrega encarnada na madrugada que seduz...


19.08.2007 – 15:38h (resomar)

COMPONDO ENIGMAS...




A vida é feita de momentos que se desmancham no ar...
Não existe palavra para defini-la, apenas o sentimento do (im)possível, o questionamento do absoluto, o silêncio de verdades amargas e sombras de uma inquietude a provocar esquecimento...
Há um vazio não colhido e mãos comovidas; poemas retirantes perdidos na paisagem empoeirada...
Habito em tua memória e escuto o sussurro do amor a interromper soluços doloridos compondo na magia da ternura um grito absurdo, mas liberto, uma lágrima algemada forçando caminho...
Embriago-me com a tua ousadia, melodia interrompida na direção dos sonhos, loucuras e desejos...
Na travessia da estação procuro o que resta no inesperado, o que brilha no crepúsculo, o que anoitece nos passos dispersos e afago a alma ferida, emudecida...
As nuvens se confundem e os galhos se recusam a provar da saudade...
Afogo-me em teus lábios acorrentados e suados e prossigo a decifrar teus sentidos inflamados, teu (in)finito enigmático...


19.08.2007 – 1:07h (resomar)

quinta-feira, agosto 02, 2007

VALEU A PENA?



Escuto declarações festivas sobre os investimentos gastos para mostrar um Brasil disfarçado, ornamentado de belezas reais mas proibidas aos que não conseguem segurar mais a esperança diante de corpos violentados ou abandonados...

Há um suor de ousadia, de substância buscada, de alma dolorida penetrando o percurso da libertação...
Há um suor contraditório, retalhado em sangue derramado, madrugada atenta para não ser fragmentada em taça envenenada, reservada a um grupo privilegiado...
Há um pão (re)partido, escondido entre migalhas de um silêncio amordaçado a esperar a seqüência rotineira dos desencontros, sucessão de absurdos desfilando nas avenidas, no aplauso dos famintos, magia de olhares esquecidos no rascunho do avesso da alma...

É tempo de desvendar o aroma da realidade na conscientização assumida; retomar a luta pela coerência, custe o que custar...
É tempo de arrebentar paredes na travessia interrompida; questionar o extremo na turbulência; ignorar palcos de ilusão, pois viver é mais do que um fogo ardendo nos espinhos...
Há um manto transparente no regresso,
um lençol dourado tecendo saudades,
espumas beijando lábios no murmúrio de um amor vencido na resistência prolongando sonhos...


30.07.2007 – 10:30h (resomar)

AGONIA DE SER...





“A vida é tão bela que chega a dar medo.” ( M.Quintana)

Impressiona-me a quantidade de escritores que transformaram o ato de escrever em uma nova dimensão, um grito de ser...
Orhan Pamuk, ( 54 anos, Prêmio Nobel de Literatura 2006) simplesmente diz: “... a escrita é uma forma de terapia e necessito escrever todo dia. A escrita nos salva da loucura.” (entrevista à Revista EntreLivros, nº 23/2007)

Quando a escuridão explode na alma, a poesia tende adormecer o colorido do olhar e já não sabemos decifrar o gorjeio dos pássaros...
De repente percebemos em nossas mãos abertas o vazio do nada, a fuga do tempo, a muralha do silêncio...
Na agonia enclausurada perdemos o contacto com as flores e as janelas apressadas refletem umidade no abandono insustentável...
Contemplo a dor na aparência de condenação...
Penetro na exaustão suada de labirintos a desafiar nossos passos...
Partilho trágicos sentimentos e no imprevisto da partida apressada consumo o desejo e constato ser a paz a continuidade do que sempre habitou no drama insolúvel de uma melodia a encerrar buscas e ocas palavras, desdentadas e opacas...

Na entrega de sonhos resta-nos abraçar a vida sem receios de arranhar lágrimas, ferir lábios ardentes, beber uma consciência liberta, luta comprometida...
Arranco da saudade o amor na experiência solitária da totalidade...
Ignoro a luz fraca e prossigo na (im)possibilidade de vislumbrar ainda uma vez tua alegria transbordante...
Oscilo no infinito e a febre fragiliza as pulsações de veias inflamadas...
A razão soluça...
A distância esbarra na travessia interditada ignorando o absurdo condenado, obsessão impregnada, dados marcados, estranhas sombras perfumadas...
E continuo na aparência das circunstâncias...
No propósito da transparência toco a brevidade do momento e tua face cicatriza o amargo descontentamento e a certeza de que nada conseguirá atropelar a beleza da vida...

13.07.2007 – 10:52h (resomar)

domingo, maio 06, 2007

A ARTE E OS (DES)ENCANTOS...



Paul Auster, escritor americano, diz ser “a arte como uma enfermidade: você se infecta e não se recupera.”

Refletir sobre a vida é adentrar-se nas dimensões enigmáticas do ser humano, porque tocar na realidade assusta e sangra...
Expressões se acumulam na alma tornando o passo mistério impregnado de pesadelos e apatias...
Não há porções arruinadas, solidão descompromissada...
Não há olhar sem o desejo de vasculhar a essência do ser, contornos inexplorados, desafios silenciosos a bailar em (re)cantos de aparência oca, cujo rosto contempla a paisagem disfarçada em uma mística de (des)encantos...
Na arte, o sentimento da ausência, dor fugindo do controle, turbulência provisória e sufocante, fugas no esvaziamento do tempo...
Nas molduras empoeiradas a palavra se abriga em sombras e as veias inflamadas despertam os sonhos na neblina da saudade...
No ritmo inesperado de abstrações, o amor de repente se desfaz e a madrugada perplexa soluça no chão faminto, acendendo imagens, rascunhando esquecimentos, dissimulando na memória o sorriso que não conseguiu ser registrado, a lágrima embriagada que ardia no murmúrio (in)consciente de lábios feridos...


25.02.2007 – 16:25h (resomar)

sexta-feira, abril 27, 2007

TER (COM)PAIXÃO...



Elisa Lispector em seu romance – Além da Fronteira – nos diz que a corrente da vida é mais forte e ela sempre se adianta às previsões humanas.

Confrontar-se com os enigmas da dor, solidão, abandono, desespero, faz parte da dimensão vulnerável do ser...
Não há evidência de fatos, apenas aparências que se entrelaçam aos (des)encantos e (in)certezas...
A náusea insinuante indaga sobre o destino e o desânimo explode na sensação de desnudamento.
Nada acontece desvinculado do pranto...
Nada prossegue embrutecido, arrancando fios invisíveis que habitam a alma...

Ter (com)paixão é fazer marca na concorrência arredia, disfarçada e deixar folhear mágoas cruzando opostos, invadindo a escuridão para derramar-se em luz...
Quanto mais tocamos no impreciso sentimento, mas somos inebriados pelo desejo de amar...

Contemplo o tempo no sonho de seguir a melodia das estrelas e plantar no amargo silêncio a flor que arrancará incoerências e quebrará molduras opacas...


23.02.2007 – 22:38h (resomar)

terça-feira, janeiro 30, 2007

PASSOS APRESSADOS...




“Os anos aproximam-se silenciosamente”, dizia o poeta romano Ovídio e fingimos o esquecimento...
A memória empalidecida se dissolve na experiência vazia de um profundo cansaço...
Impacientes desbravamos a razão e nos perdemos trêmulos de frio, sem ter a impressão de que adormecemos na metade do caminho...
Inquietos recuamos diante da paixão ardente impregnada silenciosamente nos passos apressados tocando a alma violada pressentindo a fuga amorosa...
... e as flores desamparadas se afastam na perplexidade de um instante inspirado, dedilhado em teus lábios a espalhar amargo sentimento...

19.09.2006 – 11:51h (resomar)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

SOLIDÃO...




Rasgamos o tempo e tentamos apagar marcas...
Ignoramos a sonoridade das lágrimas e o brilho do olhar esquecido em nossas mãos...
Um sentimento de medo se impregna nas veias e não identificamos o instante da partida...
No disfarce sepultamos essências...
No silêncio a dor enigmática do abandono/indiferença...
No grito abafado o perigo de margens opostas,
passos desencontrados...

A solidão do ser humano não é outra coisa, senão o seu medo de viver, diz EUGENE O’NEILL.
Faz parte do palco a fantasia mascarada, o escuro ludibriado, a sedução do perigo alucinador...
Faz parte do ser o semblante em chamas,
fragilidade amedrontada, percurso distorcido...

Importa o estranho não provocar espanto...
Importa a voracidade de sonhos no exercício da liberdade...
Deciframos a perplexidade sem a possibilidade de sermos devorados...
Na incerteza de sustentarmos emoções, a palavra se esconde em disforme solidão...
Embriagado canto a melodia amadurecida, esquecida no corpo suado e febril...

03.12.2006 – 23:28h (resomar)

ORAÇÃO...




Muitas são as abordagens sobre a oração. Em cada idéia, um sentimento em destaque, um gorjeio dedilhado em busca de travessias...
Ameaças se debruçam na discussão sobre a essência de novas modalidades de oração deixando-nos às vezes na perplexidade de realidades diversas...

Nem sempre o percurso se mantém fiel ao verdadeiro espírito...
Nem sempre a vida se expõe no confronto exposto...
Nem sempre a verdade transparece nas palavras balbuciadas, em gestos movidos pela emoção...
Parece-me ser a oração uma extensão natural de uma opção pessoal, compromissada em lutas permanentes. À medida em que nos abraçarmos sem disfarces, bebermos a poeira dos vestígios esquecidos, do marginalizado, estaremos nos engajando em uma dimensão orante...
Somente na construção partilhada de projetos, mergulharemos no amor de Deus que nos incita a prosseguir na ousadia e fidelidade do testemunho libertador de ser...
Há um horizonte mágico marcando um tempo na transform+ação da sociedade; um elo invisível identificando um instante de fé...

18.11.2006 – 11:15h (resomar)

terça-feira, setembro 26, 2006

RAZÕES...




Por que querer entender uma tarde sem a espera do anoitecer,
um encontro que foge deixando a paisagem adormecida em teus braços?
O tempo inventou razões, soprou na alma rumos e atalhos e a palavra enxergou o corpo baleado tocar a indiferença de olhares sonolentos...
Posturas desgastadas rasgam o silêncio nublado da esperança,
uma face rasgada, terra seca, boca faminta,
um amor esquecido no espanto de ser...

Não quero mais o encanto provisório de momentos...
Não quero mais apagar a realidade amordaçada na nostalgia cotidiana imersa em vazias melodias...
Quero atropelar o pranto debruçada em armas sutis, ousadamente enlaçadas no desafio de um eco transparente...

27.07.2006 – 23:00h (resomar)

terça-feira, agosto 22, 2006

INFINITUDE...



A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, diz KIERKEGAARD, filósofo dinamarquês existencialista ( 1813-1855).
A memória esquecida rasga aparentes sombras e se apaga no silêncio...
Exausto e perplexo o olhar se prolonga...
Abismos de recordações revivem um tempo assustado e anônimo...
O fracasso se precipita na mente, afoga soluços, interrompe passos diante de lutas inacabadas...
O corpo cansado se desespera e silencia...
A alma sedenta busca explicações...
O filósofo conclui o pensamento: “... mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.”

Não há como fugir!
Urgente esgotar todas as possibilidades, (re)criar atalhos, expulsar mágoas, experimentar o sabor dos (des)encantos, apalpar a dor em sua essência, aprender a arte de transformar o fato consumado em desafio audacioso, onde o gesto pousará na flor desfolhada sem espaço para (re)nascer, mas imersa na certeza de que o escuro anuncia perdas e (re)encontros...
Urgente estender as mãos para abraçar a consciência do desamparo da humanidade, tocar na cicatriz, beber a nostalgia da solidão e prosseguir...
O caminho é longo e o sentimento infinito!...

12.08.2006 – 9:19h (resomar)

sexta-feira, agosto 18, 2006

AMOR...




Há uma força imponderável na ousadia do pensamento...
O tempo transvertido em horas e minutos enlouquece porções inatingíveis e a materialidade explode sufocando gestos, alucinando o olhar que arde e não consegue dominar a razão...
Na estrutura da sociedade buscamos a garantia e cumprimento de direitos e deveres, expressões coerentes, memória liberta e vida digna...
Difícil combinar amor com independência, diz SIMONE DE BEAUVOIR, escritora francesa ( 1908-1987). Estar apaixonada a tornava vulnerável, atemorizada diante da perspectiva de perdas...

Buscamos a ternura na canção anônima dedilhada em promessas esquecidas ou no aceno de uma partida inesperada...
Custa acreditar ser o amor a única dimensão renovada no cotidiano do ser humano...
Amar não é simplesmente um sentimento, desejo, projeto... Nem tão somente esta força que nos faz ultrapassar o contraditório e amargas travessias...
Não há receitas nem milagres...
Antes de tudo, falar de amor é tocar na solidão a transparência da alma na espera silenciosa de um instante imerso na verdade que se eterniza; beber metades desencontradas que se transcendem na fé encarnada...
Muitos falaram sobre o amor...
Em cada reflexão há um compromisso de opções, pois o amor abraça esta sede de infinito e totalidade... Nada pode ser excluído...
Chegará um dia em que vislumbraremos ser ele a única razão de ser, entrelaçado em percursos estranhos, e somente então entenderemos ser a indiferença, o desespero, orgulho e ódio, dimensões envenenadas, fragilizadas e atônitas do amor...

Importa, diz MORRIS WEST, “abandonar essa busca de segurança e correr o risco de viver com os dois braços; abraçar o mundo como um amante aceitando a dor como condição da existência...”

Importa não fugirmos ao confronto do amor, mistério impenetrável, simplesmente constatado e expresso em gritos e delírios na magia de sonhos despertos...

22.07.2006 – 9:20h (resomar)

sábado, julho 15, 2006

PALAVRAS E SILÊNCIO...




Há quem diga ser a palavra travessia astuta em busca de turbulências e razões confusas e disfarçadas...
Há quem traduza o silêncio como arma poderosa, sinônimo de sabedoria, momento prateado e raro a apontar atalhos...
O ser humano na sua fantástica (ir)racionalidade consegue mascarar a vida em armados cenários de aquarela e cordas vencidas pelo uso (in)discriminado e degradante...

Estar atento ao cotidiano aquece argumentos, amadurece a consciência e faz explodir a (in)diferença na transparência de fatos concretos e na escuta de essências profanadas pelo medo e interpretações alienadas...
Marcola, denominado, como o traficante, foi entrevistado pelo GLOBO e se diz “sinal de novos tempos”. Suas colocações deveriam ser elemento de reflexão e não exclusão de sanidade mental, pois a verdade reina no contraditório e o amor habita em palácios, prisões e alagados...
Nós somos o início tardio de vossa consciência social, diz Marcola ( leitor de Dante), concluindo ser a “morte o presunto diário desovado numa vala.”

Importa a nossa dimensão coerente e corajosa...
Importa o permanente questionamento e se “há muita chama no coração do bandido” como canta Fagner e Zeca Baleiro em Palavras e Silêncios, pergunto: o que habita em nosso pálido olhar escondido entre mãos sujas e omissas?

29.06.2006 – 12:32h (resomar)

segunda-feira, julho 10, 2006

PASSOS E CONTRADIÇÕES...




Nada mais sedutor do que palavras acompanhadas de gestos...
Questioná-los ou contemplá-los em sua essência parece ser desnecessário, perda de tempo...
Complicar o simples e o óbvio nem sempre acrescenta novos elementos...
Mas o que estaria “por trás” de passos apressados, faixas iluminadas, doações fartas, emoções inflamadas, lágrimas incontidas?
Custa-nos acreditar que nada, absolutamente nada, acontece por acaso. Cada ato humano carrega sua porção política, enraizada em nubladas curvas, amordaçadas lutas.
A neutralidade não existe e se contradiz na (des)continuidade e incapacidade de assumir turbulências e confrontos na caminhada...
Não há mudanças em nenhuma sociedade sem revolução...
Quando o debate gira em torno de tal assunto há sempre abordagens radicais, alienadas ou simplesmente contraditórias.

“Ela virá, nos diz TROTSKY, e conquistará a todos, o direito não somente ao pão, mas à poesia...”
Importa o sonho desperto!
Importa a alma aberta e a verdade explodirá no obstáculo aparente ou no atalho interditado...

27.06.2006 – 9:41h (resomar)

quinta-feira, junho 29, 2006

VALE A PENA ESPERAR?




No momento do desafio o confronto!
Escutamos a linguagem sonolenta da vida em suas dimensões estranhas a fulminar razões e sonhos...
Adormecemos e permanecemos à escuta!
Enlouquecemos e não conseguimos decifrar a essência dos valores inflamados, desencontrando sentimentos...
Como e para que desembainhar a espada da palavra se as feras estão prontas para devorar a sensatez e a ousadia de quem um dia aprendeu ser o tempo, a única arma que se demora a ser; não nos deixando na solidão sem segurança...
O monstro assobia em cores e brilho, e o percurso colorido atordoa a transformação do poder abusivo, vaidade perniciosa, egoisticamente exposta em molduras reluzentes...
A civilização das aparências confunde circunstâncias e tenta apagar do ser humano a ousadia na (re)construção de suas essências imersas em um vazio ausente de ternura...
A esperança, dizia Aristóteles, é o sonho do homem acordado.

Deixemo-nos habitar em ondas e conflitos sem o receio de perder a consciência de um longo percurso a ser conquistado...
Soberanos seremos se a nossa recusa desnudar a falsidade de lágrimas fotografadas...

26.06.2006 – 17:18h (resomar)

SÁBIA IGNORÂNCIA...






Há situações que gritam o absurdo e a insensatez...
A imprensa recorre a recursos miraculosos para desvendar o mistério da disfarçada sabedoria exposta em palanques e campanhas...
O jovem sedento de justiça tenta traduzir as ações inacabadas; trilhas abandonadas; estradas assassinas; impunidade assumida e justificada; fome cantada em paredes nuas e emudecidas...
Persiste o desejo de transformar o ser humano em cego ignorante... Sim! Pois o que não consegue enxergar o colorido do provisório, sente com mais rigor a realidade nas entranhas dos artifícios e malícias...
O sábio, diz Aristóteles, duvida e reflete e o ignorante simplesmente afirma.
Não há mais como prosseguir carregando baldes furados; bocas famintas; corpo marcado de balas...
Urgente a transformação do circo em documento autenticado e registrado no sangue real dos que ainda apostam ser possível a paz - convivência sem exclusões e devassas opressões...
Importa o passo não retardar o confronto...
Importa o (des)encanto não fugir ao (des)encontro...

26.06.2006 – 12:30h (resomar)

quarta-feira, junho 28, 2006

SER RIDÍCULO...




Há rastros que escorrem no silêncio de passos e fechamos todos os portões de acesso ao coração...Há mistérios desnudados explodindo no olhar, em uma mistura de contemplação e espanto e quebramos todos os espelhos e vidraças...A paisagem escurece e a carícia da brisa deixa de ser o bálsamo da alma...Na essência de nossa memória tememos o retorno; o instante dos murmúrios e afagos; a poesia no sabor doce de um beijo (in)acabado...O abraço espalha prazer e o corpo ávido recolhe saudades...Fugimos do amor deixando a bagagem empoeirada, anônima em rudes explicações...Escalamos a superfície do infinito sem a coragem de prosseguir...Obscuras razões anestesiam os sonhos e tememos o ridículo...Em um gorjeio de asas partidas, aprendemos o esplendor da entrega sem limites em cores embriagadas, amanhecendo na poesia que se debate em harpa dolorida...

26.06.2006 – 9:45h (resomar)