segunda-feira, dezembro 04, 2006

SOLIDÃO...




Rasgamos o tempo e tentamos apagar marcas...
Ignoramos a sonoridade das lágrimas e o brilho do olhar esquecido em nossas mãos...
Um sentimento de medo se impregna nas veias e não identificamos o instante da partida...
No disfarce sepultamos essências...
No silêncio a dor enigmática do abandono/indiferença...
No grito abafado o perigo de margens opostas,
passos desencontrados...

A solidão do ser humano não é outra coisa, senão o seu medo de viver, diz EUGENE O’NEILL.
Faz parte do palco a fantasia mascarada, o escuro ludibriado, a sedução do perigo alucinador...
Faz parte do ser o semblante em chamas,
fragilidade amedrontada, percurso distorcido...

Importa o estranho não provocar espanto...
Importa a voracidade de sonhos no exercício da liberdade...
Deciframos a perplexidade sem a possibilidade de sermos devorados...
Na incerteza de sustentarmos emoções, a palavra se esconde em disforme solidão...
Embriagado canto a melodia amadurecida, esquecida no corpo suado e febril...

03.12.2006 – 23:28h (resomar)