domingo, maio 06, 2007

A ARTE E OS (DES)ENCANTOS...



Paul Auster, escritor americano, diz ser “a arte como uma enfermidade: você se infecta e não se recupera.”

Refletir sobre a vida é adentrar-se nas dimensões enigmáticas do ser humano, porque tocar na realidade assusta e sangra...
Expressões se acumulam na alma tornando o passo mistério impregnado de pesadelos e apatias...
Não há porções arruinadas, solidão descompromissada...
Não há olhar sem o desejo de vasculhar a essência do ser, contornos inexplorados, desafios silenciosos a bailar em (re)cantos de aparência oca, cujo rosto contempla a paisagem disfarçada em uma mística de (des)encantos...
Na arte, o sentimento da ausência, dor fugindo do controle, turbulência provisória e sufocante, fugas no esvaziamento do tempo...
Nas molduras empoeiradas a palavra se abriga em sombras e as veias inflamadas despertam os sonhos na neblina da saudade...
No ritmo inesperado de abstrações, o amor de repente se desfaz e a madrugada perplexa soluça no chão faminto, acendendo imagens, rascunhando esquecimentos, dissimulando na memória o sorriso que não conseguiu ser registrado, a lágrima embriagada que ardia no murmúrio (in)consciente de lábios feridos...


25.02.2007 – 16:25h (resomar)