sexta-feira, agosto 18, 2006

AMOR...




Há uma força imponderável na ousadia do pensamento...
O tempo transvertido em horas e minutos enlouquece porções inatingíveis e a materialidade explode sufocando gestos, alucinando o olhar que arde e não consegue dominar a razão...
Na estrutura da sociedade buscamos a garantia e cumprimento de direitos e deveres, expressões coerentes, memória liberta e vida digna...
Difícil combinar amor com independência, diz SIMONE DE BEAUVOIR, escritora francesa ( 1908-1987). Estar apaixonada a tornava vulnerável, atemorizada diante da perspectiva de perdas...

Buscamos a ternura na canção anônima dedilhada em promessas esquecidas ou no aceno de uma partida inesperada...
Custa acreditar ser o amor a única dimensão renovada no cotidiano do ser humano...
Amar não é simplesmente um sentimento, desejo, projeto... Nem tão somente esta força que nos faz ultrapassar o contraditório e amargas travessias...
Não há receitas nem milagres...
Antes de tudo, falar de amor é tocar na solidão a transparência da alma na espera silenciosa de um instante imerso na verdade que se eterniza; beber metades desencontradas que se transcendem na fé encarnada...
Muitos falaram sobre o amor...
Em cada reflexão há um compromisso de opções, pois o amor abraça esta sede de infinito e totalidade... Nada pode ser excluído...
Chegará um dia em que vislumbraremos ser ele a única razão de ser, entrelaçado em percursos estranhos, e somente então entenderemos ser a indiferença, o desespero, orgulho e ódio, dimensões envenenadas, fragilizadas e atônitas do amor...

Importa, diz MORRIS WEST, “abandonar essa busca de segurança e correr o risco de viver com os dois braços; abraçar o mundo como um amante aceitando a dor como condição da existência...”

Importa não fugirmos ao confronto do amor, mistério impenetrável, simplesmente constatado e expresso em gritos e delírios na magia de sonhos despertos...

22.07.2006 – 9:20h (resomar)